Há exatamente um ano, decidi estabelecer um vínculo mais próximo da natureza. E isso tem a ver, puramente, com uma questão psicológica minha, de meu tipo psicológico. Vou explicar melhor…
Dentro da psicologia analítica, Jung desenvolveu os Tipos Psicológicos, que são definidos como: atitudes: introvertida ou extrovertida (direcionamento da energia psíquica); e as funções psicológicas (traços de personalidade): Pensamento e Sentimento (pares racionais – julgamento) e Sensação e Sentimento (pares irracionais – percepção).

Eu sempre incentivo aquelas pessoas que tem interesse em saber mais de si mesmas a descobrirem o seu tipo psicológico. Não que isso seja algo 100% absoluto. Porém, dá a você uma pista sobre suas características e de como funciona seus traços de personalidade nas suas relações, na sua vida de forma geral.
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Curiosidades: na cultura coreana é muito comum saberem o seu MBTI, porque isso faz com que saibam com que tipo de personalidade estão lidando nos relacionamentos de forma geral (trabalho, família, amoroso, amizade, etc.). Inclusive, essas quatro letras estão sempre aparecendo nos doramas.
Por que fazer o seu MBTI?
Primeiro porque é incrível se autoconhecer, saber mais de você mesmo.
Segundo, você pode aprender um pouco a compreender o jeito da outra pessoa lidar. Algumas coisas começam a fazer sentido e assim, suas relações podem ter um ganho significativo. Você aprende a compreender que a pessoa age de “tal forma” que, às vezes, é tão diferente de você, por motivos psicológicos saudáveis: ou seja, a dinâmica psíquica daquela pessoa é assim, é o jeito dela ser! Você não vai mudá-la! Todavia, poderá ter uma compreensão sobre ela. São os traços que compõem àquela personalidade. Quer entender melhor? Vou dar um exemplo clássico:
Exemplo: Pense em um casal. Vamos supor que o homem tenha sua atitude mais introvertida e a mulher mais extrovertida. Isto significa que quem tem a atitude introvertida, terá a sua energia psíquica mais voltada para dentro (aquela pessoa que curte mais o seu mundo interno: ficar em casa, sozinho, refletindo consigo mesmo, fantasiando, lendo um livro, vendo um filme, etc.); já a extrovertida terá a sua energia psíquica mais voltada para fora (aquela pessoa que curte mais o mundo externo: estar com outras pessoas, sair de casa, fazer parte de algum grupo, passear, viajar, dançar, etc.).
O que não significa que um tipo de atitude não curta fazer as coisas que o outro faz. Estamos falando aqui de uma predominância, ok? Afinal de contas, o ideal é sabermos usar o caminho do meio.
O que acontece na maioria das relações humanas?
O que pude perceber nas diversas relações que se passaram e vivencio em minha vida é que: quando estamos inconscientes de quem somos temos uma grande dificuldade de compreender como o outro é, o que o outro quer, por que ele quer daquela forma e você de outra; enfim, o jeito de ser de cada um tem a ver com a sua dinâmica psíquica. E isto muitas vezes, acaba seguindo um “roteiro diagnóstico próprio” que dificulta as relações: as ofensas. Não que não existam pessoas diagnosticadas por questões de saúde mental, mas percebo que há uma patologização das relações através de falas estigmatizadas. Estamos vulgarizando termos clínicos sem ter o diagnóstico. Ou seja, estamos patologizando a nossa dinâmica psíquica, algo que é uma característica nossa e muitas vezes está inconsciente.
E então, frequentemente ouvimos frases do tipo:
| Frase Coloquial/Esteriotipada | Termo Clínico “Vulgarizado” | O que a pessoa quer dizer (Sentido Real) |
| “Nossa, o(a) Fulano(a) hoje está bipolar! Não consigo lidar com ele(a); parece ser de fases…” | Transtorno Bipolar | Instabilidade de humor ou temperamento difícil. |
| “Eu tenho TOC com meus livros, eles têm que ficar em ordem alfabética.” | Transtorno Obsessivo compulsivo | Organização, capricho ou perfeccionismo. |
| “Aquele filme me deixou em uma depressão profunda.” | Depressão Maior | Tristeza passageira, melancolia ou comoção. |
| “Fulano deu um surto psicótico só porque a internet caiu.” | Surto Psicótico | Ataque de raiva, impaciência ou exaltação. |
| “Fulano é meio autista, fica lá no canto dele e não fala com ninguém.” | Autismo (TEA) | Timidez, introversão ou introspecção. |
| “Cuidado com ela, é super narcisista, adora aparecer.” | Transtorno de Personalidade Narcisista | Vaidade, egocentrismo ou exibicionismo. |
| “Eu tenho muito déficit de atenção, não consigo ver um vídeo de 5 min.” | TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade | Distração, tédio ou falta de foco momentânea. |
| “Ela terminou comigo por mensagem, que sociopata!” | Sociopatia | Frieza, falta de empatia ou insensibilidade social. |
Que atire a primeira pedra quem nunca disse algo assim,
num momento de descontrole emocional, por exemplo: raiva, irritabilidade, ansiedade…E eu me incluo nisso. Todavia, hoje tenho mais consciência de me responsabilizar pelas coisas que falo. E por mais que em algum momento, eu cometa algum deslize na gramática ou como Freud dizia, caso eu tenha “um ato falho”, vamos analisar o que me fez sair dos trilhos e qual o símbolo meu inconsciente está querendo me comunicar sobre mim mesma, e não sobre o outro.
Em vez de rotularmos o outro, o convite é usarmos a nossa energia para integrarmos o que está em nossa própria sombra.No final das contas, sempre tem a ver com a gente mesmo!
Mas, e a macieira? O que tem a ver com o MBTI?
Dito tudo isto, quando eu descobri minha tipologia junguiana, não bastava apenas raciocinar sobre ela, era preciso compreendê-la. E isto é um exercício diário. Uma das coisas que trabalhamos muito na clínica junguiana é identificação da unilateralização psíquica. Quer dizer, a pessoa está polarizada numa função psíquica e temos quatro funções para desenvolvermos, como foi dito anteriormente. Por mais que uma delas seja predominante, haverá uma que ficará à Sombra: a função inferior – a que está inconsciente. E é esta que precisamos integrar, psiquicamente falando, com a função principal.
Resumindo: fazer a ponte entre consciente (ego) e inconsciente (sombra).
Como minha atitude predominante é a introversão, segundo Marie-Louise von Franz (psicoterapeuta/ pesquisadora/escritora amiga de Jung), no seu livro: Psicoterapia/Ed. Paulus (2021), se eu quiser assimilar a minha função inferior (sensação) “…preciso [me] relacionar com objetos externos, tendo em mente, contudo que eles são simbólicos” (p.40).
A função sensação é função em que assimilamos a informação direto dos sentidos do corpo (olfato, tato, paladar, visão, audição). Quem tem esta função como a principal, significa que esta pessoa “têm os pés firmemente fincados ao chão e correspondem ao elemento terra […]” (Zacharias, QUATI, 2003, p.16). Porém, lembre-se que esta é a minha função inferior, não é a principal. Mas o que eu precisaria fazer para integrar esta função sensação? Fazer algo que me conectasse externamente à terra. Foi aí que me veio uma grande inspiração: “será que se eu plantar a semente da maçã que acabei de comer, vai nascer uma linda macieira?” Foi então que no dia 01º de abril de 2025 (Isto não é mentira e posso provar 😉) eu plantei um pé de maçã. Ali começou a minha jornada da macieira. Uma forma simbólica de me relacionar com a minha função inferior. E tem sido incrível! Por isso, quero compartilhar com vocês um pouco deste relacionamento.
Veja abaixo a cronologia desta tarefa que me mantém conectada à terra (literalmente aterrada), e simbolicamente, faz movimentar o meu processo de individuação: a jornada da macieira!

Por isso, se você tiver interesse de saber mais sobre você, faça seu MBTI! Este teste é gratuito e você poderá ter acesso a um breve relatório apontando seu tipo de acordo com as respostas que você deu sobre si mesmo. Faça o seu (Teste de personalidade gratuito | 16Personalities) e se quiser conversar comigo sobre o seu resultado, me procure! Será uma alegria te receber!


